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Thursday 18 January 2018
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Massa vai ser o representante do Brasil na FIA. Sorte do automobilismo do país

Piloto vai deixar a Fórmula 1 em 2018 e assumir posto no Conselho Mundial da FIA

Massa vai ser o representante do Brasil na FIA. Sorte do automobilismo do país

O presidente da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), Waldner Bernardo, confirmou nesta quarta-feira, ao GloboEsporte.com, a informação de que Felipe Massa será o representante da entidade no Conselho Mundial da FIA em 2018, divulgada pelo site diariomotorsport.com.br.

É uma grande notícia para o automobilismo brasileiro, com desdobramentos nos programas educacionais de trânsito. O presidente da FIA, Jean Todt, terá o seu mandato de quatro anos renovado na eleição de dezembro. É candidato único. Todt era o diretor da Ferrari, em 2001, quando Massa assinou contrato com a equipe italiana, prestes a se tornar campeão da F 3000 Europeia. Em seguida, o filho de Todt, Nicolas, tornou-se empresário de Massa. Segue até hoje.

O piloto competiu na Ferrari de 2006 a 2013. Todt deixou a escuderia italiana em 2007. E em outubro de 2009 o dirigente francês venceu a disputa contra o finlandês Ari Vatanen, campeão mundial de rali, para presidir a FIA. E desde então se mantém à frente da entidade.

Jean Todt é presidente da FIA e tem boa relação com Massa (Foto: AP )

Jean Todt é presidente da FIA e tem boa relação com Massa (Foto: AP )

Todt tem grandes poderes, em especial depois da assinatura da última versão do Acordo da Concórdia, em 2013, contrato que estabelece os direitos e as obrigações das equipes de F1, dos donos dos direitos comerciais, hoje o grupo norte-americano Liberty Media, e a FIA.

Como excelente negociante que é, Todt garantiu para a federação importante soma em dinheiro, daí promover tantas ações pelo mundo, em especial na área de segurança no trânsito, sem esquecer do esporte.

É aí que Massa pode entrar na história. Se for criado um projeto profissional, realista, conduzido por pessoas idealistas e sérias, para o Brasil voltar a formar pilotos, mas no nível elevado que o automobilismo hoje exige, Massa tem um canal aberto para contar com a FIA, dentro do que for possível.

Massa vai se aposentar da Fórmula 1 depois do GP de Abu Dhabi, no fim deste mês (Foto: Getty Images)

Massa vai se aposentar da Fórmula 1 depois do GP de Abu Dhabi, no fim deste mês (Foto: Getty Images)

Com a sua aposentadoria da F1 depois do GP de Abu Dhabi, última do campeonato, dia 26, o Brasil deixa de ter representante no mundial, o que não acontecia desde a estreia de Emerson Fittipaldi, com Lotus, no GP da Grã-Bretanha de 1970, portanto há quase 48 anos.

Massa já disse que tem apenas 36 anos de idade e vai dar sequência à carreira. Mas seja onde for que irá competir, o grau de dedicação não deverá se comparar ao imposto pela F1, daí responder “sim” ao presidente da CBA.

– Normalmente o presidente da CBA se auto indica para fazer parte do Conselho Mundial da FIA. Mas entendo que o Felipe Massa poderá ser mais útil do que eu na FIA. Eu o convidei, ele me disse que pensaria e na terça-feira, antes de embarcar para a Europa, me ligou, contou ter conversado com seu pai, amigos, e entendeu que, de fato, poderia tentar fazer algo para o esporte que ele tanto gosta – disse Bernardo, mais conhecido por Dadai.

Waldner Bernardo, presidente da  CBA, fez o convite a Massa para assumir o posto brasileiro no Conselho Mundial da FIA (Foto: Vital Florêncio / GloboEsporte.com)

Waldner Bernardo, presidente da CBA, fez o convite a Massa para assumir o posto brasileiro no Conselho Mundial da FIA (Foto: Vital Florêncio / GloboEsporte.com)

O ex-presidente da CBA, o também pernambucano Cleyton Pinteiro, desde que assumiu a confederação, em 2009, comparecia às reuniões do Conselho Mundial da FIA, onde são votados os projetos enviados à entidade por exemplo pela Comissão de F1, responsável pela elaboração do regulamento técnico e esportivo da F1. A FIA, no entanto, tem muitas outras áreas de interesse, além da maioria das competições pelo mundo.

Pinteiro foi um membro apenas decorativo, sem levar nenhum projeto a Todt que pudesse evitar de o Brasil não ter, em 2018, representante na F1.

O país tem agora uma chance de ouro de reverter esse quadro nefasto do esporte que mais o promoveu por décadas. A presença de Massa no Conselho Mundial não resolve nada, apenas catalisa as iniciativas bem elaboradas, realistas, concebidas por profissionais experientes e bem-intencionados, ou mesmo da classe empresarial, que militam no automobilismo brasileiro.

Dentre os projetos necessários estão a atualização e o fortalecimento do kartismo e a criação de uma categoria de monopostos, como a F4, padrão FIA, com o mesmo equipamento, chassi e pneus, utilizado na Europa.

Mais e muito importante: a criação de um programa, bancado por uma ou mais empresas, capaz de garantir os recursos necessários para os pilotos de potencial darem sequência a sua carreira, como há alguns anos existe no mundo, e é o responsável pelo surgimento de pilotos tão jovens e bem preparados como estamos assistindo.

A presença de Massa, cuja idoneidade ninguém pode colocar em xeque, no Conselho Mundial da FIA pode gerar nas empresas com afinidade com o automobilismo brasileiro, como montadoras, representantes da indústria de autopeças e petroleiras, um certo despertar para investir no esporte.

Pelo menos elas saberão que existe alguém sério na área que irá zelar para eventuais investimentos no mundo das corridas de automóvel terem o destino certo, elevando bastante as chances de os resultados planejados serem alcançados.

Fonte: globoesporte.globo.com




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