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Thursday 18 January 2018
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Brasília receberá 3,5 mil estudantes nos Jogos Escolares da Juventude

DF está representado com 161 jovens divididos por todas as modalidades

Minervino Junior/CB/D.A Press
Bola, bicicleta, rede ou até mesmo as passadas longas representam para um sem-número de jovens a ponte para um futuro melhor. O esporte aliado à educação, explicam os manuais pedagógicos, promove a integração social, quebra preconceitos e desenvolve valores de cidadania. Para uma parcela de jovens atletas, o sonho é olímpico. Nos próximos nove dias, Brasília se tornará palco dos Jogos Escolares da Juventude. O evento é considerado o início da carreira de uma série de talentos do desporto.
A competição nacional reúne 3,5 mil atletas com idade entre 15 e 17 anos. Havia uma década, Brasília não sediava os jogos. Desde 2005, quando o Comitê Olímpico do Brasil (COB) assumiu os Jogos Escolares da Juventude, a capital recebeu as duas primeiras edições. Além de agitar a cidade com as provas — as competições das 14 modalidades são gratuitas —, analistas econômicos do Executivo local estimam que pelo menos 27 mil leitos serão ocupados durante o evento. Alívio para o setor hoteleiro, que ficará movimentado de hoje até 25 de novembro.
O DF está representado em todas as modalidades por 161 atletas de escolas públicas e particulares de todos os cantos do quadradinho. Uma oportunidade única para aqueles que querem seguir carreira no esporte.  A competição revelou estrelas, como Sarah Menezes e Mayra Aguiar, do judô, Raulzinho, do basquete, Ana Claudia Lemos, do atletismo, e Leonardo de Deus, da natação. As provas vão ocorrer em 21 locais por toda a cidade. O Centro de Convenções Ulysses Guimarães funcionará como espaço de convivência das delegações.
Se para o público a festa começa hoje, a preparação dos atletas em muitas situações vem de anos. É o caso de Ana Luiza Dantas do Nascimento, 15 anos. Pela quarta vez consecutiva, ela participa das provas de atletismo. “Eu me sinto mais preparada”, diz timidamente. A  jovem de família humilde ostenta um cartel que é para poucos: 45 medalhas, sendo nove dos Jogos Escolares da Juventude. “Treino até seis vezes por semana. Às vezes não quero ir, mas a vida de atleta é isso. Tem que ficar focado nas competições e abrir mão de algumas coisas”, conta.
Ana mora em Taguatinga. No colégio onde estuda, Centro de Ensino Fundamental 17, é conhecida pelo desempenho no esporte. Este ano ela angariou duas medalhas de ouro no campeonato brasileiro sub-16 de atletismo. “Comecei a treinar com 11 anos. Era mais uma brincadeira que um objetivo. Naturalmente a vontade foi crescendo. Hoje, quero ser uma saltadora fantástica, uma atleta olímpica”, conclui.
Distante 38km da casa de Ana, o sonho se repete. Cainã Guimarães de Oliveira, 15 anos, se dedica ao ciclismo. Treina menos que gostaria, já que não tem a bicicleta e depende de uma emprestada de um tio. O sonho é se tornar atleta de alto desempenho. Para isso, ele quer juntar dinheiro para comprar seu equipamento. A bike chega a custar R$ 7 mil. “Meu pai me incentivou muito a apostar no esporte. Ele pedalava e isso se tornou comum para mim”, ressalta o morador de Sobradinho. Atualmente, os treinos são por duas horas, até três vezes por semana.
Ana e Cainã disputam as primeiras provas da competição amanhã. Eles não escondem o nervosismo, mas estão seguros da preparação. “Estou muito animada para os jogos deste ano. Eu me sinto pronta. Vou dar meu melhor”, frisa a menina. É a mesma filosofia de Caiã. “No começo do ano, eu não estava treinando tanto, mas agora intensifiquei e acredito que estou bem preparado. O que eu mais gosto de fazer é pedalar. Isso me anima a competir”, pondera.
A garra e as dificuldades desses atletas não são exceção. O coordenador dos Jogos Escolares da Juventude no DF, professor Carlos Ney, explica que essa tendência se repete com  os atletas do DF. “Muitos esperam mudar uma realidade difícil com o esporte. A organização dos jogos se assemelha à Olimpíada, por isso tem uma importância singular na vida dos estudantes”, argumenta. A organização dos jogos custou ao todo R$ 10 milhões, sendo R$ 7 milhões do COB e R$ 3 milhões custeados pelo Executivo local, por meio do Fundo de  Apoio ao Esporte.
Na disputa
Os atletas vão realizar provas das seguintes modalidades: atletismo, badminton, basquete, ciclismo, futsal, ginástica rítmica, handebol, judô, luta olímpica, natação, tênis de mesa, vôlei, vôlei de praia e xadrez.
» CINCO  PERGUNTAS PARA 
Leila Barros, secretária do Esporte Turismo e Lazer do DF
Depois de uma década, os Jogos Escolares da Juventude serão sediados em Brasília. O que isso significa para a cidade e para o esporte local?
Os jogos são a base do desporto nacional, por isso, entramos na campanha para pleitear Brasília como sede. Esse era um sonho particular meu. Brasília pulsa esporte. É um presente para o desporto escolar da cidade.
O que os jogos representam para o jovem atleta?
É uma perspectiva de futuro. A comunidade esportiva compreende que, nos jogos escolares da juventude, estarão os atletas que no futuro representarão o nosso país numa olimpíada. Muitos desses jovens sonham um dia vestirem a camisa do Brasil em suas modalidades. Isso começa aqui. Eu sou uma atleta oriunda dos jogos escolares. É ali que nascem os nossos campeões.
Foi difícil trazer o evento para Brasília?
Não foi fácil! Estávamos numa concorrência com mais de oito cidades. Dentre elas uma forte candidata, que era São Paulo. Eles queriam muito sediar. O que facilitou a vinda para Brasília foi a logística. A operação dos jogos aqui é mais fácil. Temos um aeroporto que fica a 15 minutos da região central, um setor hoteleiro que está do lado dos principais locais de competição e um ginásio e um centro de convivência colados. A vinda dos atletas também é mais fácil. Economicamente é mais viável para as equipes.
Essa é uma oportunidade importante para o jovem atleta que quer seguir carreira no esporte. Os jogos escolares funcionam como uma vitrine?
Eu sou filha de um mecânico que estudou até a quarta série e de uma dona de casa. Eu sei o que o esporte representa e impacta na vida desses jovens. Muitos deles veem no esporte uma oportunidade. O esporte faz parte da formação de homens e mulheres com valores e cidadania. Temos que trabalhar a resiliência, a persistência e o foco. Aprender a lidar com a frustração. No esporte a gente mais perde do que ganha. As grandes potências investem no tripé educação, cultura e esporte por isso, por causa do desenvolvimento humano. Esse é o grande legado do esporte. Os jogos são mais que a formação de superatletas. Aqui começa tudo. Quando o jovem participa dos jogos e se destaca, as pessoas começam a monitorar e vão começar a se interessar pelo rendimento. Tem muita gente acompanhando e tem muito olheiro do mundo do desporto aqui.
A senhora participou de jogos escolares há 30 anos. O que mudou nesse período?
Naquela época eu era a Leila sonhadora. Hoje, tenho uma missão: dar a oportunidade que eu tive. Os jogos cresceram indiscutivelmente. Eu me lembro que ficávamos em alojamentos, viajávamos de ônibus… O evento está num alto nível, não é uma coisa amadora. Na minha época, era mais amador, mas não com menos paixão.
Fonte: http://www.correiobraziliense.com.br



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